segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Facebook tornou-se uma "arma" de difamaçao


Há dois anos atrás os estudantes cabo-verdianos que vieram para Portugal, já não são como os que vieram anos anteriores, ou seja, três e muitos anos atrás. Hoje a comunidade cabo-verdiana (estudantes universitários) é definida como um grupo de pessoas invasoras da liberdade dos outros. 
Esta total liberdade que os outros deveriam ter e que agora já não têm, para se comunicarem, principalmente com pessoas distantes de nós, como nossos pais, amigos e pessoas que não vemos há muito tempo (colegas da escola primária, amigos de infância e muito mais). 
Tudo isto já não se pode fazer por causa desta enorme desgraça que é a rede social que hoje existe (FACEBOOK), onde acho que nós os cabo-verdianos não sabemos o que a palavra significa. Podemos sim, contactar com as pessoas através de um outro meio, mas todos nós optamos por aquilo que está ‘’na moda’’ por ser mais fácil a aceder aos nossos amigos e etc. 

Os estudantes cabo-verdianos de hoje querem boa vida, não estão preocupados com que os seus pais estão a passar para manter estes durante 3, 4, 5 anos aqui a estudar, se é que estão a  estudar, isto já não lhes interessa o que mais lhes interessa é passar 24 horas por dia no FACEBOOK, a vasculhar a vida dos outros. 

O tempo que gastam a criar uma página no FACEBOOK, para difamar, humilhar pessoas, a que em vez disso, deveriam dar conselhos quando vêem que os outros membros não estão a comportar-se como deveriam, que não é bom fazer aquilo por serem pessoas vieram cá estudar para que futuramente possam ser grandes; Doutores, Ministros, Advogados, Engenheiros e etc., mas pelos vistos, não é o que os estudantes cabo-verdianos querem, para ver um Cabo Verde desenvolvido onde mais tarde se poderá encontrar mais jovens a trabalhar no governo, no posto de saúde, na área educativa e de recursos humanos, por serem elementos fundamentais para o desenvolvimento do nosso pais onde é necessário renovar, cada ano, semestre, épocas e etc. mas para que isso aconteça teremos que mudar a nosso eu, porque sem essa mudança Cabo Verde tornar-se-a velho e cada dia mais pobre.  

Pergunto; quantas horas é que dedicam a ler um livro, em vez de estarem no FACEBOOK? Porque é que não se preocupam a ler os apontamentos das aulas, em vez estar a copiar fotos dos outros para fazerem barbaridades com elas no Facebook?
Mas talvez tudo isto será mais fácil do que preocupar-se com conteúdos programáticos entregues pelos Docentes. É mais fácil para certos estudantes de C.V de hoje em dia, em Portugal preocuparem-se com o horário de ir para uma discoteca do que o das aulas; é mais fácil de estarem preocupados dentro da sala de aula, com o que os colegas estão vestidos, do que colocar dúvidas da aula anterior ao professor.

Agora vem o lema principal; Se assistires às aulas com um calçado novo, vem alguns e perguntam, porque que vieste tão chique para a faculdade. O primeiro semestre não correu bem; prometo que no próximo semestre vou estudar mais, festejar menos, mas sempre acontecerá o contrário. 

Um país não forma universitários para que sejam exímios reprodutores, para que disseminem de forma acrítica um saber já fossilizado, mas para que sejam criativos, inovativos e questionadores. Parafraseando um pensador de priscas eras, diria que o país espera da universidade uma fábrica de opiniões, mas não pode haver opiniões sem opinantes. 

Nós temos que ter valores universais que têm a ver com a fraternidade, a tolerância, o respeito pela vida, a sabedoria; e valores temporais ou de conveniência assentam no que é passageiro: os bens materiais, a soberba, a superficialidade e toda a tecnologia lúdica: a televisão, a Internet, as discotecas, em fim, o entretenimento. Tudo isto coexistira em toda a história da Humanidade, fazem parte da própria natureza Humana. O importante é procurarmos um justo equilíbrio entre eles. O que significa que não podemos deixar pender claramente para um dos lados da balança. Não é necessário que nós pratiquemos só os valores eternos, também não devemos resvalar na luxúria. Em suma, não estamos perante uma ausência de valores, eles existem mas na sua forma circunstancial, imediata, em fim, na sua forma subversiva. Em resumo diria que o papel de nós estudantes está exactamente onde se encontra o seu tríplice desafio: servir a sociedade onde futuramente estarão inseridos e onde estão, a universidade e o estado.

Falei em perder tempo para estar na internet e muito mais, mas no meu caso foi para uma boa causa, acho eu. E por último, tem muitos dos cabo-verdianos que dizem ter vergonha de o ser, por tantas barbaridades feitas por pessoas sem escrúpulos. Mas eu não tenho vergonha, porque sou cabo-verdiana e com muito orgulho, não posso andar com cara no chão por causa do que os outros fazem, sei quem sou, o que eu faço, por onde ando, com quem ando e como trato da minha vida. Talvez se nos preocupássemos mais connosco e em ajudar a nossa comunidade inserida aqui em Portugal tudo seria diferente.

Elizângela Carvalho