terça-feira, 19 de julho de 2011

Tudo sobre as agências de rating

O semanário Sol publicou recentemente um artigo pelo jornalista Luís Gonçalves sobre as agências de rating que recentemente colocaram Portugal no lixo. Abaixo saiba tudo (mesmo tudo, mas mesmo mesmo tudo sobre estas agências)


O que fazem as agências de rating? As agências avaliam a capacidade de Estados ou empresas pagarem os seus empréstimos através de uma classificação a que se chama rating, ou seja uma nota. Esta é apenas uma opinião e não assegura que um Estado ou empresa com classificação máxima não entre em bancarrota. Diz apenas que há poucas probabilidades de isso acontecer.
Quantas agências existem?
Existem cerca de 30 a 40 agências de rating em todo o mundo, mas o mercado é dominado pela Standard&Poor's, Moody's e mais recentemente pela Fitch, que são conhecidas como as ‘três grandes’.


As ‘três grandes’ são todas norte-americanas e detidas por grupos financeiros?
Não. Foram fundadas nos EUA onde os ratings nasceram, mas hoje a Fitch pertence a uma empresa francesa, a Fimalac, e a S&P é detida pela McGraw-Hill, um grupo editorial.


Porque são tão criticadas?
A sua actuação durante a crise financeira de 2008 foi amplamentente criticada após terem classificado com nota máxima produtos financeiros tóxicos que estiveram na origem da crise. Em 2001, as agências deram rating máximo à Enron, quatro dias antes da maior energética dos EUA, ter declarado falência. Fizeram o mesmo com a Worldcom, uma das maiores telecoms nos EUA que também faliu.


Há conflitos de interesse?
As agências têm como accionistas empresas a quem dão avaliações. É um tema por resolver.


Como fazem negócio?
Estados e empresas pagam para ter um rating.
Quanto custa ter um rating? É difícil de saber. O preço depende do número de serviços e ratings contratados, assim como da dimensão da empresa. O Público noticiou recentemente que o Estado e empresas portugueses pagam 9 milhões de euros por ano às três grandes.


Porque é importante ter um rating?
Hoje é a melhor garantia para conseguir financiamento junto dos investidores. Empresas sem rating têm mais dificuldade ou mesmo impossibilidade de financiar-se. E no caso dos bancos portugueses, por exemplo, sem os ratings das agências não conseguem obter financiamento junto do BCE – a sua ‘tábua de salvação’ nos últimos dois anos.


Como é feita a atribuição de um rating?
Através de dados quantitativos como relatórios e contas, embora as investigações feitas após a crise financeira de 2008, tenham provado que os factores qualitativos foram determinantes na atribuição de diversas notas.


Mas influenciam assim tanto os mercados?
Têm influência porque os investidores seguem e acreditam nas suas opiniões. Mas por exemplo, durante a crise da dívida na Zona Euro, os juros e o risco da Grécia ou Portugal já estavam há meses a níveis insustentáveis antes de as agências considerarem estes activos como ‘lixo’.




Quando há um downgrade, as agências são obrigadas a alertar o emitente?
Sim. Entre 24 e 48 horas antes do anúncio oficial.


Há alternativa às agências?
Cada investidor pode decidir por si próprio. Não precisa de agências.Estas apenas emitem opiniões. Além das três grandes começam a ganhar força a canadiana DBRS e a chinesa Dagong.


Fonte: Semanário Sol