quinta-feira, 19 de abril de 2012

Guiné-Bissau uma semana depois

Ha uma semana (dia 12) atrás foram ouvidos tiros e as primeiras noticias foram a que de o primeiro ministro Carlos Gomes Júnior foi assassinado por militares que tomaram posse algumas rádios e televisões. Era as primeiras noticias de um pais que voltava a ter um golpe de estado na véspera do inicio  da campanha eleitoral para a segunda volta das eleições presidências.  

 
Militares invadem casa do primeiro-ministro com granadas e armas automáticas cerca das 19 horas e terminou por volta das 21h. Levam o primeiro ministro candidato as presidências para o Forte de São Vicente sem registo de vitimas excepto o cão que foi morto a tiros. O presidente interino Raimundo Pereira também foi levado e esta juntamente com Carlos Gomes Júnior


No mesmo dia o jornalista e blogueiro António Aly Silva foi preso, uma testemunha conta que houve "uma perseguição frenética movida pelos militares a alta velocidade, perto do restaurante a Padeira, retirado do seu veiculo e espancado duramente. Foi levado depois para local incerto".(Entrevista do jornalista antes de ser preso em Bissau: Entrevista a António Aly Silva)

O comando militar justifica a intervenção no dia 13 dizendo que "não ambiciona o poder", dizendo ter agido para defender as Forças Armadas guineenses de uma suposta agressão que seria conduzida pelas Forças Armadas de Angola. O comando militar disse que tem na sua posse um documento elaborado pelo governo guineense: "O Comando Militar está na posse de um documento secreto visando legitimar a intervenção de Angola, através de um mandato do Conselho de Segurança e Paz da União Africana. Esse documento redigido por juristas (cujos nomes os militares dizem não revelar por enquanto) é assinado pelo primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e pelo Presidente interino, Raimundo Pereira", diz o comunicado.

No mesmo dia o jornalista António Aly foi libertado após ter sido agredido com uma coronhada e ter alguns objectos pessoais roubados.

Domingo dia 15 Portugal fez deslocar para Cabo Verde um contingente com meios aéreos e marítimos, estes estão na ilha do Sal não para fazerem frente a nenhuma operação mas sim, ficar mais próximo possível daquele pais africano, para em caso de  necessidade, proceder a evacuação de cidadãos portugueses e de outras nacionalidades.

No mesmo dia meia centena de jovens juntaram-se em Bissau para manifestação pela paz, mas este não se concretizou porque foi desmobilizada pelos militares, onde varias pessoas ficaram feridas.


Hoje o jornalista da RCV Nelio dos Santos e o operador de câmara da TCV Carlos Cardoso "Cadji" sofreram um acidente de viação, mas estes sofreram apenas escoriações e estão fora de perigo. O mesmo não se pode dizer do irmão do Nelio dos Santos que acabou por falecer. Os funcionários da RTC estavam a serviço para acompanhar a situação na Guine-Bissau.

Acompanhe toda a actualidade na Guine nos blogues Ditadura do Concenso (do jornalista António Aly Silva), SOS Guine-Bissau e Novas da Guine Bissau