quinta-feira, 24 de junho de 2010

2º Campeonato do mundo da FIFA Itália 1934




DADOS
Teve a participação de 16 equipas onde se jogou 17 jogos de 27 de Maio 1934 a 10 de Junho de 1934. Marcaram-se 70 golos (média 4.1 por jogo) onde o melhor marcador foi o Oldrich NEJEDLY (Checoslováquia) com a Itália a sagrar-se campeã e a Checoslováquia a ficar em segundo e a Alemanha e Áustria em terceiro e quarto respectivamente. O público presente foi de 358000 (media 21058)  
RESUMO
Em 1934, a Itália escreveu um novo capítulo da história da Copa do Mundo da FIFA ao conquistar o título mundial em casa.
O torneio foi bem maior que o disputado no Uruguai em 1930, com oito sedes em vez de uma. Além disso, ouvintes em 12 países participantes receberam transmissões ao vivo pelo rádio. A principal semelhança foi o facto de os donos da casa terem ficado com o troféu. Com golos de Raimondo Orsi e Angelo Schiavio, a selecção comandada por Vittorio Pozzo superou uma desvantagem inicial para vencer a Checoslováquia por 2 a 1 na final em Roma.
Depois do sucesso da primeira Copa do Mundo da FIFA, as 32 selecções interessadas tiveram de disputar fases eliminatórias para reduzir o número de participantes a 16. Em uma ocasião que não voltaria a ser repetida, a anfitriã Itália teve de se classificar para o seu próprio torneio ao derrotar a Grécia. O México também contribuiu com um fato inédito e inesperado ao viajar para a Itália, mas sem disputar nenhuma partida da competição. A selecção mexicana tinha garantido a vaga regional ao derrotar Cuba, mas os Estados Unidos decidiram participar em cima da hora. As duas selecções tiveram de fazer uma partida em Roma para disputar a vaga que estava destinada ao México. Os americanos venceram por 4 a 2.

O Uruguai foi a ausência mais sentida entre os participantes. A Celeste Olímpica se recusou a participar em retaliação contra a desistência italiana em 1930. A edição de 1934 acabou sendo a única Copa do Mundo da FIFA em que o campeão não defendeu o seu título. As selecções sul-americanas que fizeram a longa viagem acabaram voltando cedo para casa. Argentina e Brasil, ambos sem força máxima, perderam na primeira fase para Suécia e Espanha, respectivamente.

A Argentina, sem nenhum integrante da edição de 1930, viu vários atletas seus mudarem de lado e defenderem a selecção italiana. Entre eles estava o médio Luisito Monti, que havia disputado a Copa do Mundo da FIFA quatro anos antes. Ele teve um papel decisivo na campanha vitoriosa dos donos da casa, ao lado de Atilio DeMaria, Enrico Guaita e Raimondo Orsi — todos eles argentinos de origem italiana que decidiram defender o país de onde as suas famílias haviam emigrado.
A estreia italiana não poderia ter sido mais enfática. Na vitória por 7 a 1 sobre os Estados Unidos em Roma, Orsi marcou dois golos e Schiavio deixou a sua marca três vezes. Tudo sob o comando do disciplinador Vittorio Pozzo. A maior goleada do torneio não foi a única actuação de luxo da primeira fase. O Egipto, primeiro representante africano da história da competição, conseguiu se recuperar de uma desvantagem de dois golos contra a Hungria, mas acabou perdendo por 4 a 2. Já a França foi um adversário duríssimo para a favorita Áustria, que ostentava o apelido de "Selecção Maravilha". Os franceses abriram o placar e só foram perder por 3 a 2 no prolongamento.
A Áustria dividiu com a Itália a condição de favorita ao título. Com um futebol de toques curtos e um ataque comandado pelo pequenino e habilidoso Matthias Sindelar, os austríacos haviam mostrado a sua força ao derrotarem a Itália por 4 a 2 em Florença quatro meses antes da Copa do Mundo da FIFA. No entanto, o futebol-arte não teve lugar no jogo dos quartos de final contra a Hungria. A vitória da Áustria é até hoje comparada a uma "briga de rua" por historiadores do futebol.
As condições também não facilitaram o famoso toque de bola na semifinal contra a Itália. O seleccionado anfitrião colocou Monti em uma marcação cerrada sobre Sindelar. O relvado encharcado também ajudou a Itália a vencer com um golo de Guaita no primeiro tempo. O triunfo foi um exemplo da capacidade de resistência física dos italianos, que tiveram três jogos em quatro dias.
Nos quartos de final, a Azzurra não tinha passado de um empate diante da Espanha. Vinte e quatro horas depois, as duas selecções voltaram a se enfrentar com muitas alterações, entre elas a ausência do guarda-redes espanhol Zamora. O único golo do jogo extra saiu dos pés do italiano Giuseppe Meazza, que muitos anos depois deu nome ao maior estádio da cidade de Milão. Os espanhóis voltaram para casa culpando golos anulados em ambos os jogos, mas as reclamações não afectaram o público italiano, tomado por um clima de fervor nacionalista.
Dos 367 mil espectadores que compareceram aos estádios, quase 200 mil assistiram às cinco partidas do seleccionado da casa, com uma média de 37,6 mil pessoas por jogo. O líder fascista Benito Mussolini queria tanto usar a competição como uma vitrina para o seu país que encomendou um troféu adicional, a "Coppa Del Duce", cujas dimensões superavam em muito as da verdadeira taça da FIFA.
O adversário da Itália na final em Roma no dia 10 de Junho foi a Checoslováquia. Como a Áustria, o antigo país do Leste Europeu era adepto de um futebol de toques curtos e tinha jogadores de destaque em ambas as extremidades do campo: o guarda-redes František Plánička e o médio ofensivo Oldřich Nejedlý, que foi o melhor marcador da competição com cinco golos. Depois de uma vitória apertada na primeira fase sobre a Roménia, os checoslovacos saíram perdendo para a Suíça nos quartos de final, mas venceram por 3 a 2 com um golo de Nejedlý nos últimos minutos. O mesmo atacante marcou os três golos da vitória por 3 a 1 na semifinal diante da Alemanha, que ficou com a medalha de bronze como prémio de consolação ao derrotar a Áustria na decisão do terceiro lugar.
O golo checo na final não foi marcado por Nejedlý, mas pela ponta de lança Pu. Ele surpreendeu a maior parte dos 50 mil espectadores no Estádio Nacional do PNF com um remate rasteiro que abriu o placar faltando somente 14 minutos para o fim do jogo. A Itália quase tomou o segundo quando Svoboda acertou a trave, mas conseguiu empatar aos 36 do segundo tempo após um remate com efeito de Orsi.
No prolongamento, Pozzo mostrou que era mais do que um mero disciplinador. As instruções para que Guaita e Schiavio trocassem de posição deram resultado, já que o golo da vitória saiu de uma combinação entre os dois depois de um cruzamento de Meazza, Guaita tocou para Schiavio, que encontrou o fundo das redes. A Itália era campeã do mundo pela primeira vez.
CURIOSIDADES
Luisito Monti que perdeu a final de 1930 jogando pela Argentina ajudou a Itália a vencer a decisão em 1934. Atilio Demaria esteve com ele em ambas as ocasiões;
Em uma ocasião que não voltou a se repetir, as duas selecções finalistas foram capitaneadas pelos guarda-redes: o italiano Giampiero Combi e o checoslovaco František Plánička;
Aldo Donelli que marcou o único golo dos Estados Unidos na competição também era famoso jogador de futebol americano e posteriormente técnico na NFL;
O Egipto entrou para a história como a primeira selecção africana a disputar o campeonato do mundo da FIFA, o continente africano só viria a ser representado novamente 36 anos depois;
O Brasil levou 11 dias para chegar à Itália de navio, mas foi eliminado na primeira partida pela Espanha, que havia feito o trecho final da viagem junto com os brasileiros.