sábado, 10 de julho de 2010

Copa do Mundo da FIFA EUA 1994


DADOS
·         Equipes: 24
·         Quando: 17 Junho 1994 para 17 Julho 1994
·         Final: 17 Julho 1994
·         Jogos: 52
·         Golos: 141 (média 2.7 por partida)
·         Assistência: 3587538 (média 68991)
§  Campeão: Brasil
§  Vice-campeão: Itália
§  Terceiro: Suécia
§  Quarto: Bulgária
§  Bola de Ouro adidas: ROMÁRIO (Romário de Souza Faria) (BRA)
§  Chuteira de Ouro adidas: Oleg SALENKO (RUS),
§  Hristo STOICHKOV (BUL)
§  Prémio Yashin para o Melhor Goleiro: Michel PREUDHOMME (BEL)
§  Prémio de Melhor Jogador Jovem: Marc OVERMARS (NED)
§  Prémio FIFA Fair Play: Brasil
§  Prémio da FIFA para a Equipe Mais Espectacular: Brasil
RESUMO
Os Estados Unidos sediaram a 15ª edição da Copa do Mundo da FIFA com grande sucesso e atraíram o maior número de espectadores da história do evento. O campeão foi o Brasil, que não comemorava o título mundial desde 1970. A final decepcionou um pouco ao terminar em 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação e ser decidida nos penáltis, mas as partidas que antecederam a decisão não tiveram escassez de golos nem de emoções.
Em meio a inúmeros encontros dramáticos, foram marcados 141 golos, a maior marca desde 1982. A Bulgária, que não tinha vencido nenhuma das 16 partidas disputadas em edições anteriores da Copa do Mundo da FIFA, foi a maior surpresa ao derrotar a Alemanha para chegar às semifinais. Já o argentino Diego Maradona foi flagrado no antidoping e eliminado do torneio, mesmo destino da sua selecção após a derrota por 3 a 2 para a Roménia de Gheorghe Hagi.
O evento também foi marcado por uma tragédia: o assassinato do zagueiro colombiano Andrés Escobar depois do retorno ao seu país. Ele havia feito um golo contra no jogo diante dos Estados Unidos, resultado que eliminara a Colômbia. Os americanos se classificaram para enfrentar o Brasil nas oitavas-de-final e perderam no detalhe por 1 a 0.
Estádios lotados
O futebol nos Estados Unidos nunca foi tão apreciado quanto o basquete, o beisebol ou o futebol americano. Por isso, a escolha do país para sediar a Copa do Mundo da FIFA surpreendeu muita gente. O presidente da FIFA, João Havelange, tomou a decisão de levar o evento aos EUA para superar a última fronteira do futebol, e o sucesso foi confirmado com um recorde de 3.587.538 espectadores.
Outro marco do torneio foram os 147 países que participaram das eliminatórias. Alguns dos favoritos europeus ficaram pelo caminho, entre eles a então campeã continental Dinamarca, a Inglaterra e a França, eliminada pela Bulgária com um golo no último segundo da última partida. E as surpresas continuaram na fase de grupos, com uma vitória valendo três pontos pela primeira vez. A Itália perdeu para a Irlanda por 1 a 0 na estreia e só chegou às oitavas-de-final como uma das melhores terceiras colocadas.
Assim como ninguém esperava a eliminação colombiana, a classificação da Arábia Saudita à segunda fase parecia muito improvável, mas os árabes conseguiram duas vitórias e foram em frente. O atacante Saeed Owairan marcou aquele que talvez tenha sido o golo mais bonito do torneio, driblando vários jogadores antes de converter contra a Bélgica. O russo Oleg Salenko também não fez por menos, estabelecendo um novo marco ao fazer cinco golos na vitória por 6 a 1 sobre Camarões. O golo de honra dos camaroneses representou um recorde pessoal para Roger Milla, o atleta mais velho a ter balançado a rede na história da Copa do Mundo da FIFA, com 42 anos, um mês e oito dias.
O rabo de cavalo
Outra selecção africana, a Nigéria, esteve a 90 segundos da vitória sobre a Itália nas oitavas-de-final, mas Roberto Baggio conseguiu salvar o resultado quando os italianos tinham apenas dez homens em campo. Os campeões africanos haviam vencido o seu grupo e estavam prestes a surpreender o mundo, mas Baggio empatou e depois fez o golo da vitória na prorrogação. Com um chamativo rabo-de-cavalo, o camisa dez italiano estava na melhor fase da sua carreira. Ao marcar um golo no finalzinho da partida contra a Espanha, ele garantiu a chegada dos italianos à semifinal, na qual fez mais dois para derrubar a Bulgária. Os búlgaros tinham o ídolo Hristo Stoichkov e haviam derrotado simplesmente a Alemanha, que defendia o título mundial conquistado quatro anos antes.
Stoichkov dividiu a artilharia da competição com Salenko. Romário ficou um golo atrás, mas levou para casa um prémio bem mais importante. Ele e Bebeto escreveram o nome na súmula ao marcarem dois dos golos brasileiros na emocionante vitória por 3 a 2 sobre a Holanda nas quartas-de-final. O jogo teve a famosa comemoração de Bebeto embalando um bebé imaginário e o inesquecível golo de falta do criticado lateral Branco para definir a partida. Romário também fez o único golo da semifinal contra os suecos, que tiveram o seu melhor resultado desde 1958 com a medalha de bronze.
Brasil e Itália repetiram em Pasadena o clímax de 1970. Vinte e quatro anos antes, as duas selecções brigavam para ver quem seria o primeiro tricampeão mundial. Sob o forte sol americano, nasceria o primeiro tetracampeão. Pela primeira vez o destino do troféu foi decidido nos penáltis, e o mesmo destino foi cruel com Roberto Baggio. Depois de levar a Itália nas costas até o último momento, ele chutou por cima o penálti que deu o título ao Brasil. Com a perna direita enfaixada para proteger o tendão lesionado, o camisa dez italiano ficou estático ao ver a bola subir, enquanto os brasileiros corriam para comemorar a tão esperada quarta conquista mundial.
Comandado em campo pelo capitão Dunga, o Brasil pode não ter tido toda a magia de selecções anteriores, mas o plantel de Carlos Alberto Parreira se preparou de forma correta e teve uma óptima dupla de ataque com Romário e Bebeto. Com os dois perfeitamente entrosados, Parreira pôde se dar ao luxo de deixar no banco um jovem de 17 anos chamado Ronaldo. Afinal, ele ainda teria a sua chance.
CURIOSIDADES
Depois de 17 jogos sem vitória em diversas edições da Copa do Mundo da FIFA, a Bulgária finalmente conseguiu o seu primeiro triunfo na competição ao golear a Grécia por 4 a 0;
Oleg Salenko o único vencedor da Chuteira de Ouro adidas a ter actuado em menos de quatro jogos, fez cinco dos seus seis golos em apenas 60 minutos contra Camarões;
O calor fez com que Michel Preud'homme desistisse do ritual de usar uma camiseta do Standard de Liege por baixo do uniforme da selecção belga. Mesmo assim, ele levou o prêmio Lev Yashin de melhor goleiro da competição;
No confronto do Grupo 2 contra o Brasil, a escalação de Camarões apresentou uma diferença de idade de 24 anos e 42 dias entre o veterano Roger Milla e o jovem Rigobert Song;
Depois de Sócrates ter actuado como capitão e marcado um golo na estreia do Brasil em 1982 contra a União Soviética, o irmão Raí repetiu a façanha na vitória por 2 a 0 diante da Rússia em 1994.