segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Palavras + fotografias = Pó de Bruma

O que acontece quando dois portugueses se encontram em Cabo Verde? Criam um projecto.


E foi exactamente o que aconteceu com Tó Gomes e Luís Rodrigues que criaram o "Pó de (di) Bruma", um projecto que pretende ouvir as vozes do quotidiano das pessoas e das paisagens do arquipélago, quer pelas imagens, quer pelas palavras e retratar tudo num livro.



Tó Gomes, fotógrafo, nasceu em Caldas da Rainha, Portugal, mas mora há já doze anos na cidade da Praia, onde já desenvolveu várias actividades, da informática à restauração. Já participou, com os seus trabalhos em várias exposições e é co-autor dos livros “Olhar a Urbe” e “Essência e Memória”, nos quais publicou fotos com Cabo Verde como pano de fundo.

Luís Rodrigues, de 28 anos, natural de Portalegre, Portugal, é professor na Universidade de Santiago em Cabo Verde, país onde reside há dois anos. Desde cedo se habituou a procurar nas palavras, suas e dos outros, um som que quebre a monotonia da realidade. “Pó de (di) Bruma” é o seu primeiro trabalho de poesia.










A ACRIDES – Associação Crianças Desfavorecidas foi escolhida pelos autores do projecto "Pó de (di) Bruma" para ser beneficiária em 60% do total das vendas. Os autores associaram-se à, ONG que há mais de dez anos luta pela melhoria de condições de vida de muitas crianças e pela defesa dos seus direitos.

O que falta para este projecto funcionar? Apenas apoio financeiro necessário para que se possa juntar fotografia e poesia retratando a vida urbana, historias de Cabo Verde entre outros temas em palavras e imagens. 



Lourença Tavares ACRIDES
 
Tó Gomes
            + 238 994 23 46       / 919 23 46


Ajude este projecto, ajude a ACRIDES. 





Palavras Sem Casa

Na noite escura
da nossa
                solidão

Procuro palavras
de outro mundo
sem casa
vazias
ocas

como criança
que ora nasceu
naquele beco
no meio do lixo
anónima
                de si mesma

de olhos fechados
para fora

clarividente
da ignorância
que não sabe ter

E desisto



Vertigem

Por vezes

O mundo inteiro
desfila à
                frente
dos meus
                  olhos

Numa corrente
de pó
      terra
                escura
                suja

Que me leva.
               
E eu dissolvo-me
     esbato-me
                         perco-me
         confundo-me

     Neste tumulto