sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Carta aberta a Kaká Barbosa

Respeito, mas não sou obrigado a aceitar a opinião de KáKá Barbosa

“Chiunga”  é a forma como Káká Barbosa, compositor da música crioula, define o Hip Hop/Rap Cabo-verdiano.  Uma afirmação que tem desencadeado imensas críticas por parte dos Rappers residentes no país e no estrangeiro. Será que o cantor se sente ameaçado, pela onda e o poder que o HIP HOP faz sentir?  Será que os jovens da actualidade têem a obrigação de serem espelhos da outra geração?

Para mim, nada justifica a generalização da sua opinião, e partindo dele que parece ser um homem culto,  comparar gerações é absolutamente uma atitude insensata. Apenas respeito, mas não consigo aceitar isso porque acredito que o hip hop/ rap possiu conteúdos e  mensagens que podem ser aproveitadas.

É bom lembrar que alguns Rappers, talvez contribuiram para a afirmação de Káká Barbosa, pois muitos andam ainda a promover coisas que realmente são desfavoráveis e brincam com o lugar sagrado que o Hip Hop possui;  é preciso também respeitar a ética musical, e a verdade é que a composição de muitos Rappers não cativam e põe em causa o valor do HIP HOP.  Mas mesmo assim acredito que em nenhuma circunstância o Hip Hop passou a ser considerado por eles como “ papel higiénico”.

Se repararmos bem, Cabo Verde possui talentos, jovens com criatividades ainda para serem exploradas. O HIP HOP foi uma opção que muitos escolheram mas isto não quer dizer que “finasom” de Nha Nacia Gomes está sendo ignorada, nem que a cultura Caboverdiana está sofrendo um retrocesso.  

Em sintonia com as problemáticas sociais, é através do hip hop que muitos passaram a saber de coisas absurdas que estavam guardadas, perante uma  realidade que choca está aí o Hip Hop na intervenção, duras críticas para uma vida de igual para igual é o Hip Hop que transmite.

A todos os Rappers que estão dentro e fora do país, é preciso deixar de lado os comentários feitos por KáKá,  e provar que o hip hop é mesmo uma poluição como ele disse, mas no sentido de manter essa cultura ainda mais forte, de apresentar e continuar a trazer aquilo que muitos escondem principalmente os que possuem cargos importantes,  recriminar os maus actos  e revolucionar ainda mais a sociedade para um caminho mais justo e mais humano.

O Hip Hop não está a competir com o batuque, o funaná , nem a morna, para um lugar de destaque, ao contrário de Káká Barbosa que talvez está a tentar ser o centro das atenções.

O contributo da nação Hip Hop é imensa e valiosa, pena que ainda KáKá não viu isso. Eu ainda assisto  a mudanças espantosas, provocadas por aquilo que ele considera de “imitação e macaquice da cultura americana”. Jovens que deixaram de fumar cigaros e passaram a fumar acontecimentos e vivências sociais, passando horas e horas a trabalhar a música e montar uma história compreensível e real.

O apelo que faço a todos os Rappers dentro e fora de Cabo Verde, é que batalham mais ainda pelo Rap e cultivam essa cultura com amor e devoção. Não é preciso ficar a martelar sobre a opinião de KáKá, afinal somos todos livres para pensar, mas não somos obrigados a aceitar essas mesmas opiniões. Se acreditas no teu Hip Hop então faça ainda mais por ele. É PRECISO RESPEITO PELA CULTURA. E O HIP HOP FAZ PARTE DESSE RESPEITO.
Ouvir e sentir o bit, o tik tak dos clap´s , a emoção de compôr as rimas… um sentimento forte que preenche o coração e a alma…é esse o Mundo HIP HOP.


DAV1
Rapper e estudante em Ciências da Comunicação